quinta-feira, 22 de agosto de 2013


DATAS COMEMORATIVAS E O DIA DO EDUCADOR ESPECIAL

Por: Leandra Bôer Possa

O texto que vocês vão ler, não é produto de um acontecimento individual. Ele é produto do meu encontro com uma colega – um desses vários encontros que temos pela UFSM. Ela provocou-me esta escrita com o objetivo de dizer sobre a data comemorativa do Dia do Educador Especial – dia 22 de agosto.

A partir daquele encontro fiquei pensando em sobre o que pensar e escrever. Fiz esta opção que agora passo a compartilhar com vocês. Um texto que problematiza e busca, mesmo que de forma superficial, em função das poucas linhas de um texto, dizer sobre as datas comemorativas e a comemoração do dia do Educador Especial.

As datas comemorativas se constituem como produto de algum tipo de convenção cultural, política e econômica. São instituídas pela tradição popular; para comemorar o nascimento ou morte de alguma pessoa ilustre; também, designam os festejos religiosos como páscoa e natal, ou ainda, o dia de algum santo/a padroeiro/a. Estas e outras datas como o dia dos namorados, o dia dos pais e mães, o dia da criança, o dia do idoso, a parada gay…

Ainda, outras tantas datas comemorativas são de cunho étnico. Datas que informam e tornam visíveis alguns grupos sociais tendo, o dia, uma função de conscientização e dialogo mais profícuo com a sociedade. São comemorações que ganham valor cultural, político e econômico.

Dentre as datas comemorativas temos os dias destinados a dar visibilidade a segmentos profissionais. Temos o dia de quase todos os profissionais, médicos, advogados, pedreiros, faxineiros, sacerdotes, prostitutas, enfim. Todos dos dias do ano parecem ser comemorativos, tendo em vista tantas datas a se comemorar.

Pensar sobre as datas comemorativas tem, para mim o sentido de pensar não na data em si, mas no acontecimento que faz com que uma sociedade precise instituir datas para dar visibilidade a algumas coisas, pessoas, trabalhadores… Uma sociedade que precise festejar, comemorar e conscientizar num dia estipulado. É aí que me pergunto: Como estas datas são produzidas como comemorativas? Como estas datas produzem sentido político, econômico, cultural para que cada um de nós esteja a comemorá-las como um dia especial?

A maioria das datas comemorativas são internacionais e convencionadas pela Organização das Nações Unidas (ONU). Muitas outras são instituídas nacionalmente, tendo até uma lei (Lei Nº 12.345 de 9 de dezembro de 2010) como parâmetro definidor de uma data comemorativa. Esta lei brasileira diz que uma data comemorativa precisa ter “alta significação para os diferentes segmentos profissionais, políticos, religiosos, culturais e/ou étnicos que compõem a sociedade”. E aí a outra pergunta: como temos produzido esta alta significação?

Pois então, temos agora em agosto a comemoração da semana do Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla de 21 a 28 de agosto, esta antigamente chamada de Semana do Excepcional. Foi, no dia 26 de junho, o Dia Mundial das pessoas Surdocegas. Será no dia 26 de setembro o Dia Nacional do Surdo e no dia 03 de dezembro o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência.

No enredo destas datas alusivas as pessoas com deficiência, o dia 22 de agosto é o dia daquele profissional que se produz professor de Educação Especial. Aquele responsável por projetar uma ação profissional, – e por ser professor uma ação educacional – que incide na parcela da população descrita como deficiente; como aquele que produz a diversidade na população em geral; ou ainda, aquele que é diferente.

Não sei se o dia 22 de agosto de 2013 será uma data para que nós Educadores Especiais comemoremos. Por outro lado, podemos ter a certeza de que este será mais um dia do ano em que nós, Educadores Especiais, estaremos nos produzindo como profissionais. Para tanto, tenhamos o cuidado neste dia – como em todos os dias do ano- para que não sejamos silenciados por uma data que, por convenção cultural, política e econômica, pode estar direcionando nossos modos de ser e estar na profissão.

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