sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

2005 - 2012

Sete anos!
Este foi o tempo entre a aprovação em primeiro lugar no concurso para magistério público estadual e sentença de posse.
O Estado valia-se da prerrogativa de que a nomeação e posse de um candidato era mera expectativa de direito e que dependia da conveniência e/ou necessidade da administração pública.
Valia-se meus queridos, pois, há jurisprudência do STF que vem fundamentando sentenças e garantindo aos candidatos nomeação e posse desde que aprovados dentro do número de vagas existentes no edital do concurso. Pois, entende-se que, ao abrir um concurso público e oferecer vagas, a administração já observou a necessidade e, inclusive, realizou previsão nas diretrizes orçamentárias.
Caso contrário, se realizar concurso e não empossar os aprovados, configura-se de má fé, ou seja, caça-níquel entre outros mil adjetivos.
Divido com vocês meu sentimento de justiça feita, tardia, lenta...mas, feita!
É muito saboroso esse sentimento, ainda mais quando se cresce nos corredores do judiciário, quando toda sua família trabalha para a justiça, quando faltam-lhe dedos para contar quantos são os operadores do direito ao seu redor e aí, quando você precisa, a justiça não pode te decepcionar.
Estou em crise existencial, pois, mais uma vez tenho que escolher!
Em sete anos muitas coisas aconteceram, não fiquei parada de braços cruzados aguardando a sentença e outras oportunidades surgiram.
Estive trabalhando na APAE, em São Pedro (duas escolas rurais), em Dilermando de Aguiar (com Equoterapia, puxando cavalo com temperatura inferior a 0°) e hoje em Nova Esperança e UFSM. No meio do caminho um acidente, com sequelas temporárias e outras irreversíveis, chuva, frio, pedra, temporal, barro, cansaço, desilusão...mas, também, uma dezena de outros concursos (que ainda estão me nomeando e eu recusando), mais dois cursos de especialização, dezenas de colegas, companheiros, amigos e irmãos de coração, sem falar nos alunos, que carrego-os um a um na minha memória. Encontros e desencontros, brigas ideológicas, sofrimento, dor, crescimento, lutas, vitórias, derrotas, aperto financeiro, bonanza, perdas materiais, conquistas...
Enfim, um capítulo, um extenso capítulo, que poderia, talvez ter sido reduzido, ou menos desgastante se o Estado não brincasse com a vida das pessoas.
Hoje, depois de tudo isso, tenho como agradecer a oportunidade oferecida em 2005 mas, na época, se realizei a inscrição, é porque precisava do emprego.
Todo esse blábláblá para compartilhar com os amigos essa sentença histórica, pois, é uma das primeiras do país e que servirá como jurisprudência para tantas outras. Não permitam ser enganados por autarquia alguma, seja ela municipal, estadual ou federal, a justiça precisa ser provocada e de acordo com os movimentos da sociedade ela muda também.
Se acreditarmos e corrermos atrás este país tem jeito!
Ana Paula


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Marx...

"O caminho do inferno está pavimentado de boas intenções." (Karl Marx)