terça-feira, 30 de julho de 2013

O que acontece no meio
Martha Medeiros

No meio, a gente descobre que precisa guardar a senha não apenas do banco, mas a que nos revela a nós mesmos.

Vida é o que existe entre o nascimento e a morte. O que acontece no meio é o que importa.

No meio, a gente descobre que sexo sem amor também vale a pena, mas é ginástica, não tem transcendência nenhuma. Que tudo o que faz você voltar pra casa de mãos abanando (sem uma emoção, um conhecimento, uma surpresa, uma paz, uma ideia) foi perda de tempo.

Que a primeira metade da vida é muito boa, mas da metade pro fim pode ser ainda melhor, se a gente aprendeu alguma coisa com os tropeços lá do início. Que o pensamento é uma aventura sem igual. Que é preciso abrir a nossa caixa preta de vez em quando, apesar do medo do que vamos encontrar lá dentro. Que maduro é aquele que mata no peito as vertigens e os espantos.

No meio, a gente descobre que sofremos mais com as coisas que imaginamos que estejam acontecendo do que com as que acontecem de fato. Que amar é lapidação, e não destruição. Que certos riscos compensam – o difícil é saber previamente quais. Que subir na vida é algo para se fazer sem pressa.

Que é preciso dar uma colher de chá para o acaso. Que tudo que é muito rápido pode ser bem frustrante. Que Veneza, Mykonos, Bali e Patagônia são lugares excitantes, mas que incrível mesmo é se sentir feliz dentro da própria casa. Que a vontade é quase sempre mais forte que a razão. Quase? Ora, é sempre mais forte.

No meio, a gente descobre que reconhecer um problema é o primeiro passo para resolvê-lo. Que é muito narcisista ficar se consumindo consigo próprio. Que todas as escolhas geram dúvida, todas. Que depois de lutar pelo direito de ser diferente, chega a bendita hora de se permitir a indiferença.
Que adultos se divertem muito mais do que os adolescentes. Que uma perda, qualquer perda, é um aperitivo da morte – mas não é a morte, que essa só acontece no fim, e ainda estamos falando do meio.

No meio, a gente descobre que precisa guardar a senha não apenas do banco e da caixa postal, mas a senha que nos revela a nós mesmos. Que passar pela vida à toa é um desperdício imperdoável. Que as mesmas coisas que nos exibem também nos escondem (escrever, por exemplo).
Que tocar na dor do outro exige delicadeza. Que ser feliz pode ser uma decisão, não apenas uma contingência. Que não é preciso se estressar tanto em busca do orgasmo, há outras coisas que também levam ao clímax: um poema, um gol, um show, um beijo.

No meio, a gente descobre que fazer a coisa certa é sempre um ato revolucionário. Que é mais produtivo agir do que reagir. Que a vida não oferece opção: ou você segue, ou você segue. Que a pior maneira de avaliar a si mesmo é se comparando com os demais. Que a verdadeira paz é aquela que nasce da verdade. E que harmonizar o que pensamos, sentimos e fazemos é um desafio que leva uma vida toda, esse meio todo.

quarta-feira, 24 de julho de 2013


Bom dia!

Acho bonito gente que usa cinto de segurança, gente que desliga o celular no cinema, gente que respeita o espaço alheio. Acho sexy mulher que ganha seu próprio dinheiro, admiro quem trabalha duro, que estaciona o carro, mesmo longe, pra pegar os filhos na escola. Tenho quase tesão por gente que cobra nota fiscal na loja, por gente que pede desculpas no trânsito, por gente que dá bom diapro porteiro. Chego a esboçar leves sorrisos quando vejo alguém ajudando os outros, devolvendo o que não é seu, tratando chefes sem bajulação, apagando o cigarro na presença de crianças.

Minha rejeição não é ao pecado, mas ao pecador. Não sou Deus, tenho a liberdade de ser e fazer o contrário dEle. Ele ama o pecador, não o pecado. Eu sou o inverso. Aceito o pecado, mas detesto o pecador. Detesto quem rouba, quem xinga, quem falta com o respeito. Acho brega gente que mente, acho cafona e subdesenvolvida gente que puxa saco, gente que desvia dinheiro público, gente que recebe sem trabalhar, gente que maltrata bichos, gente que emprega parente, gente que anda pelo acostamento e gente que fura fila. Pra mim, falar alto ao telefone num restaurante é tão deseducado quanto arrotar em frente à rainha.

Sim, porque no fim meus princípios agem mais como receptores do que como transmissores. Sinto atração por gente simpática, por gente honesta, por gente elegante. Por isso e por um punhado de outras coisas tenho poucos e valiosos amigos, gente que tem endereço fixo, conta bancária modesta, crédito livre na taberna.

Não há nada mais atraente do que gente humilde, gente honesta, gente trabalhadora, gente educada, gente asseada, gente elegante, gente bacana.

Que me perdoem os mentirosos e os espíritos de porco.

Honestidade é fundamental. - Autor desconhecido.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Sejam bem vindas, férias, suas lindas!!!!

Diferente!

Tenho evitado, "me policiado" a não mais escrever, mas, neste momento, preciso!
Metade do ano, metade de mais um ano, metade do 29º ano... Logo, logo, de repente 30!
Confesso, meio ano difícil, como todos os outros 28 anos. Contudo, algo mudou e o que mudou?
Maturidade? Conformismo? Cansaço?
Não tenho mais o vigor, o entusiasmo, a crença na transformação, a disponibilidade em ser o depósito de frustrações das pessoas e do próprio sistema...
Desde sempre precisei "matar um leão por dia", mostrar o óbvio, abraçar causas até então tidas como impossíveis....
Nunca foi fácil e, também, ninguém disse que seria mas, pela primeira vez, me percebo diferente...
Estou cansada, desmotivada, frustrada e pior de tudo, estou descrente.
Não carrego mais certezas de transformações, carrego decepções!!!
Esse recesso letivo veio em ótima hora, preciso refletir... ninguém dá o que não possui, ninguém convence sobre algo que não acredita!!!
Gostava mais de mim antes, gostava das utopias!!!
Ana Paula Gatiboni Faccin


quinta-feira, 4 de julho de 2013

PALAVRAS DO SENADOR CRISTOVAM BUARQUE


"... Antes de acusarmos o vandalismo deles é preciso nos perguntarmos: onde erramos? Antes de os chamarmos de vândalos é preciso admitirmos que nós fomos vândalos ainda maiores. NÓS, POLÍTICOS, vandalizamos a saúde pública. Vandalizamos a constituição. Vandalizamos a segurança pública. E o mais grave, vandalizamos a educação deste país. Quando dizem que no Brasil as crianças ficaram violentas na escola, eu digo: as crianças são pacíficas demais diante da violência da própria escola sobre elas, e o mesmo eu digo desses que estão quebrando as vidraças do Itamaraty. Se em meio a uma multidão de manifestantes pacíficos um pequeno grupo faz isso é porque matamos os sonhos da maioria dos nossos jovens e provocamos a ira de outros. Nós políticos colaboramos para este "casamento" perigoso entre o "sonho morto" e a "raiva viva" dos nossos jovens.

Se não nos perguntarmos onde erramos, não vamos parar com esses vândalos menores e muito menos com o vandalismo MAIOR que é toda política social brasileira..."