domingo, 15 de dezembro de 2013


Nasci em meio à ditadura militar, logo, vi nascer uma Constituição e com ela o renascimento da democracia e da esperança de um país mais justo; Vi os jovens pintarem as caras, tomarem as ruas, derrubarem um presidente; Vi letrados, doutores afundarem, venderem, endividarem um país; Vi um metalúrgico, semi-analfabeto, "comunista" (como meu vô gostava de chamar) tomar conta, literalmente, de um país e de sua gente; Vi uma mulher ser chamada de "Presidenta", num país onde a bem pouco tempo atrás, nem ao menos votávamos; Vi quem muito prometer nada fazer e de quem nada se esperar muito admirar...
Assisti muros caírem por terra e países unirem-se, assim como economias, culturas e religiões, em nome do desenvolvimento, da paz e/ou do entretenimento.
Entretanto, assisti guerras do Irã, Iraque, Afeganistão, 11 de Setembro etc, sem muito juízo ou nenhum juízo, em nome de Deuses, de Poder, de Dinheiro e/ou de outros motivos que nem eles mesmos, os causadores, sabem nominar.
Assisti a algumas Copas do Mundo, outras tantas Olimpíadas, GPs do Brasil de Fórmula 1, vibrei, chorei, cantei o hino do meu país, com orgulho e devoção, esquecendo os dessabores do dia a dia.
Vi corrupção, falcatruas, jeitinhos brasileiros, politicagens, impunidades, injustiças, assédio moral, abuso de autoridade... em contrapartida, vi “gente” muito boa, dotada de ideologias, movida por fortes utopias, disposta a fazer do serviço público uma ferramenta a serviço do povo, para o povo, com o povo.
Vi pessoas esperarem/entregarem tudo à justiça dos homens e esta falhar pois, justamente, é feita por homens...
Vi o poder e o dinheiro se apossar da mente e do comportamento de pessoas e o caos se instaurar.
Vi a mediocridade, o egoísmo, a falta de bom senso, o autoritarismo, a ignorância, a inveja, a arrogância e tantos outros males nocivos, contaminar as relações de trabalho.
Vi pessoas serem movidas pela paixão, compaixão e pontes atravessar.
Vi vínculo de sangue causar chagas e sangrar, mas, também o amor de “estranhos” brotar.
Vi que a vida se vai, rápido demais, sem nem ao menos dar tempo de nos despedirmos, que dói, que não há explicação para isso (apesar das tentativas das religiões), que com o tempo você vai sobreviver.
Vi, também, o quanto o ser humano é frágil, apesar de sua armadura. Tudo pode acabar muito fácil e comigo quase acabou.
Vi que, as vezes, dá para sobreviver... Acho que não me quiseram lá em cima (ou lá em baixo), ou tenho algo ainda a fazer aqui, ou ía provocar alteração por lá.
Vi que este sobreviver dá trabalho, mas, que neste meio tempo você conhece pessoas bem interessantes, com motivações, desejos e aspirações distintas às suas, mas, que no fundo, coincidem (o amor ao próximo, suprimento da necessidade do outro etc). Percebe, que a amizade pode surgir de situações adversas, passa a respeitar, admirar, defender, profissionais que “vestem a camisa”, que se doam, que honram seus juramentos.
Vi homens despidos de orgulho e de egos inchados, que no anonimato, salvam, curam, cuidam de rostos desconhecidos. Vi, senti e sinto a dor dos enfermos, nos olhos de meus médicos/amigos sentia refletir minha dor.
Cresci, não só em tamanho, rsrsrsr... com o que vi da vida!
Vi que posso ter amigos de todas as idades, tenho amiguinhos na EMEI, amo demais nossos encontros, me divirto com a Pri, com o Davi, gosto de brincar com a Lauri e ouvir suas mentiras, adoro meus amigos adolescentes, trocar músicas e ver suas novas tatuagens, sinto saudades das minhas colegas de faculdade, de seus senso crítico, estético, ético e assim por diante, rsrsrsr... Fico observando minhas amigas mais crescidinhas, pois, quando eu crescer quero ser igual a elas, rsrsrsr... E fico em absoluta admiração quando estou junto dos meus amigos da melhor idade, me sinto um mosquitinho, sinto até vergonha da minha ignorância e imaturidade em relação à vida.
Vi, também, que posso ter amigos héteros, homos, ou seja lá qual for a opção sexual deles, pois, vou amá-los e respeitá-los da mesma forma, desde que seja recíproco.
Vi que posso construir amizades de todas as cores, brancas, pretas, amarelas, pardas... ah, já ía esquecendo, podem ser gordos, magros, altos, baixos, ouvintes, surdos, cegos, cadeirantes etc. Pois, se eu tiver a fim, “de boa”, vai rolar um lance bem legal!
Vi que o amor vai persistir, resistir, à uma peça e um banheiro, ao arrombamento do cofrinho no meio do mês para comprar pão, à algumas 144 TPMs, à alguns dias bem ruins no trabalho, à alguns pedidos de exonerações e até à um longo período de recuperação, à um estresse pós trauma, à algumas hospitalizações, ao medo da perda, à mudanças inesperadas, à longos períodos sem sexo, rsrsrrs... Enfim, vi, senti, comprovei, amei!
Vi que o amor dos pais é infinito, incondicional, empático, eterno... palavras não descrevem! Vi que famílias se dissolvem com as crises, mas, outras, unem-se mais. Que por mais que você goste de seu trabalho, que tenha ambição por dinheiro, nada disso tem valor e você vai largar tudo, tudinho e sair correndo ao primeiro sinal de que um dos seus esteja precisando de você.
Vi que os irmãos são os primeiros, os maiores e os melhores (os mais chatos também) amigos, companheiros, parceiros que o ser humano pode ter. Que você pode até não concordar com uma palavra que ele disser (e pode fazer isso só para irritá-lo) mas, vai defender o direito dele dizê-la, vai perceber que eles podem ter os piores gostos musicais do mundo, mas, que você ainda consegue se divertir, ouvindo um som com eles, vai tomar cerveja barata e morna, fazer alguns “programas de índio”, mas, talvez seja os poucos números de telefone que você conseguiu decorar e, certamente, quando a coisa fica feia, será para eles que irá ligar.
Vi que não se pode gastar o que não tem, não se pode ser o que não é, que não se presta continência com o chapéu dos outros, que o tempo sempre mostra a verdade, que palavras não tem valor se as atitudes mostram o contrário, que ninguém sobe na vida sem humildade e trabalho, que não se pode subir na vida fazendo os outros de degrau, que diploma não te dá futuro se você colocar ele numa moldura e esperar que a oportunidade bata à sua porta.
Vi que ser adulta é uma merda, que dá muito trabalho crescer, que o controle social é grande, que não existe liberdade individual, que o consumismo fez de você uma marionete, que se você não tomar cuidado, a imprensa controla sua mente, que se você estiver fora do padrão “global” está ferrada.
Vi que somos seres políticos, nem sempre partidários, pois, nem sempre nos identificamos com as “cartilhas”, mas, almejamos sempre algo e representamos estes desejos nas urnas. Entregamos, confiamos a uma outra pessoa nosso maior bem, a esperança e, infelizmente, não raramente, nos decepcionamos.
Fiz escolhas injustificáveis, impensáveis, imprevisíveis, irreconhecíveis, mas, acima de tudo, irrepreensíveis. Pois, foram escolhas que contam minha história, quem eu sou, o que eu vi, a forma como eu vi a vida.
Estou atravessando a “crise dos 30”, rsrsrrs... 

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